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No Estado de São Paulo, em 2005, foram notificados 4.665 casos autóctones
de dengue (até a semana epidemiológica 32), cerca de 50% acima do
registrado no ano de 2004 (3.060 casos autóctones). Em relação à
distribuição da autoctonia, observou-se que este ano o número de
municípios com transmissão (103) dobrou em comparação ao ano
anterior (47).
Em 2004, três regiões foram responsáveis por 80,4% dos casos autóctones
de dengue no Estado: Baixada Santista, com 1.374 casos (45,1%);
Litoral Norte, com 517 casos (17,0%); e Vale do Paraíba (Município
de Potim), com 558 casos (18,3%). Em 2005, a Baixada Santista
continuou se destacando em relação à transmissão de dengue,
apresentando, no mesmo período, 1.825 casos autóctones, 39,1% do
total do Estado. A seguir, os Municípios de Olímpia, Ribeirão Preto
e São José do Rio Preto, com, respectivamente, 834 (17,6%), 478
(10,2%) e 238 casos (5,1%), também se destacaram no período citado.
A região da Baixada Santista reveste-se de grande importância
epidemiológica na transmissão de dengue, pois apresenta complexo
conglomerado urbano, com inúmeras áreas sem estrutura urbana
adequada, elevada densidade, importante movimentação populacional e
grande número de imóveis fechados (temporada), além de condições
climáticas extremamente favoráveis ao desenvolvimento do vetor
(temperatura e umidade). Possui a cidade de Santos o maior porto da América
Latina, com 15 hectares e 18 quilômetros de extensão, que movimenta
41 milhões de toneladas e 700 mil contêineres por ano, em 4.000
navios que atracam no cais. Essa movimentação representa 25,4% do
comércio externo do País.
Os
aspectos citados contribuem para que a Baixada Santista seja responsável
por grande parte dos casos autóctones de dengue do Estado. A partir de 1997, início
da transmissão nessa região, até junho/2005, o número de
casos autóctones de dengue na Baixada (66.682 casos) corresponde a
43,7% do total de casos autóctones do Estado no mesmo período
(152.417 casos).
Em
relação à situação entomológica, o programa de controle
baseia-se na redução das populações de Aedes aegypti.
Atualmente, esta espécie está distribuída por 498 municípios
paulistas (77,2%), onde vivem, aproximadamente, 85% da população do
Estado. Desses municípios infestados, cerca de 60% já tiveram
registro de casos autóctones de dengue.
As atividades vetoriais são diferenciadas,
segundo a infestação. Nas regiões onde a espécie não está
estabelecida, as ações voltam-se à vigilância, visando evitar a
dispersão da espécie, mediante atividades programadas. Nas regiões
infestadas são realizadas atividades de rotina para controle
vetorial: visitas casa a casa e em imóveis especiais e
pesquisa/tratamento químico em pontos estratégicos. De janeiro a
maio de 2005 foram trabalhados no Estado mais de quatro milhões de imóveis
em áreas infestadas por Aedes aegypti, na atividade de visita
casa a casa, realizada por equipes municipais da área de controle de
vetores e dos programas de Agente Comunitário de Saúde (Pacs) e da
Saúde da Família (PSF), conforme demonstra a tabela 1.
Tabela 1
Número de imóveis trabalhados, segundo atividade de rotina (casa a
casa) e mês Estado de São Paulo Janeiro a maio de 2005
|
MÊS
|
JAN |
FEV |
MAR |
ABR |
MAI |
TOTAL |
| EXECUÇÃO |
| CONTROLE
DE VETORES |
640.103 |
701.626 |
758.570 |
615.355 |
692.352 |
3.408.006 |
| PACS/PSF |
120.254 |
124.659 |
188.921 |
180.164 |
202.391 |
816.389 |
| TOTAL |
760.357 |
826.285 |
947.491 |
795.519 |
894.743 |
4.224.395 |
|
Fonte: Sucen
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|
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Outras atividades de
controle são desencadeadas quando ocorre transmissão:
bloqueio-controle de criadouros e bloqueio-nebulização. Na tabela 2
são mostrados os imóveis trabalhados nestas atividades.
Tabela 2
Número de imóveis trabalhados em atividades para controle de
transmissão, segundo mês. Janeiro a maio de 2005
|
Mês
|
JAN |
FEV |
MAR |
ABR |
MAI |
TOTAL |
| Atividade |
| Controle
de Criadouros |
101.612 |
134.902 |
164.694 |
204.725 |
197.028 |
802.961 |
| Nebulização |
8.404 |
22.389 |
37.833 |
54.486 |
54.408 |
177.570 |
|
Fonte: Sucen
|
|
|
|
|
|
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Nas regiões
infestadas realiza-se também a vigilância vetorial, mediante a
determinação dos níveis de infestação, atividade denominada
Avaliação de Densidade Larvária. O indicador adotado no programa é
o Índice de Breteau (IB). O gráfico 1 mostra o número de imóveis
trabalhados nesta atividade em todo o Estado, em 2005.
|
|
Fonte: Sucen |
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Gráfico 1
Número de imóveis trabalhados em Avaliação de Densidade
Larvária (IB)
Estado de São Paulo 2005 |
Historicamente,
os níveis de infestação do vetor no Estado mostram sazonalidade bem
demarcada, registrando valores altos no verão e reduzidos a níveis
próximos de zero, no inverno. Considerando-se as avaliações
realizadas neste ano, observa-se na tabela 3 que, no primeiro trimestre,
para a maioria dos municípios, o valor estimado para o IB foi superior
a 5,0, sendo que em considerável número deles este
valor foi superior a 10,0. Estes dados podem apontar um agravamento da
situação epidemiológica e, portanto, reforçam a necessidade da manutenção das atividades preconizadas no Programa de Controle
de Dengue pelos órgãos envolvidos.
Merece destaque, ainda, o fato de que das 40
avaliações realizadas entre abril e junho, meses menos favoráveis
à proliferação do vetor, 26 (65%) resultaram em IB maior que 2,0.
Tabela 3
Avaliação de Densidade Larvária (IB) realizada pela Sucen, segundo
níveis de infestação por Aedes aegypti Estado de São Paulo
- janeiro a junho de 2005
|
IB |
<
2
|
2
- 5
|
5
- 10
|
10
- 15
|
>15
|
TOTAL
|
| MÊS |
Nº
|
%
|
Nº
|
%
|
Nº
|
%
|
Nº
|
%
|
Nº
|
%
|
Nº
|
%
|
| JAN |
4
|
6,3
|
16
|
25,4
|
21
|
33,3
|
14
|
22,2
|
8
|
12,7
|
63
|
100,0
|
| FEV |
16
|
22,9
|
22
|
31,4
|
21
|
30,0
|
7
|
10,0
|
4
|
5,7
|
70
|
100,0
|
| MAR |
10
|
18,5
|
16
|
29,6
|
16
|
29,6
|
8
|
14,8
|
4
|
7,4
|
54
|
100,0
|
| ABR |
2
|
15,4
|
7
|
53,8
|
4
|
30,8
|
0
|
-
|
0
|
-
|
13
|
100,0
|
| MAI |
6
|
40,0
|
7
|
46,7
|
2
|
13,3
|
0
|
-
|
0
|
-
|
15
|
100,0
|
| JUN |
6
|
50,0
|
4
|
33,3
|
2
|
16,7
|
0
|
-
|
0
|
-
|
12
|
100,0
|
| TOTAL |
44
|
19,4
|
72
|
31,7
|
66
|
29,1
|
29
|
12,8
|
16
|
7,0
|
227
|
100,0
|
|
Fonte:
Sucen
|
|
|
|
|
|
|
|
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Salientamos que tivemos, nos últimos
anos, invernos atípicos, com temperaturas mais elevadas e índices
pluviométricos acima da média. O risco de ocorrer transmissão
importante nos próximos meses é alto, pois iniciaremos o período
mais propício ao desenvolvimento do vetor com níveis de infestação
acima do esperado.
Em vista do exposto, é fundamental o
envolvimento de todos os
segmentos da sociedade, na busca de melhores perspectivas.
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