Informe Mensal sobre Agravos à Saúde Pública   ISSN 1806-4272

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Julho, 2005   Ano 2   Número 19                                                                     retorna
Campanhas de vacinação contra Poliomielite e Influenza —
Estado de São Paulo, 2005
Divisão de Imunização
Centro de Vigilância Epidemiológica “Professor Alexandre Vranjac”
Coordenadoria de Controle de Doenças (CVE/CCD)
 Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo

 

Vacinação contra a poliomielite

Há 25 anos o Brasil realiza com sucesso as campanhas de vacinação contra a poliomielite. Sem registro de casos da doença desde 1989, o País participa do grande empreendimento mundial em busca da erradicação da doença, ainda endêmica na África, Mediterrâneo e Sudeste da Ásia. A existência da poliomielite nestes locais e o fluxo de viajantes internacionais constituem fatores de risco para a disseminação do poliovírus. O acúmulo de suscetíveis pode propiciar a reintrodução da doença, a exemplo do que ocorreu no Iêmen e Indonésia este ano (figura 1).

Figura 1
Circulação do poliovírus selvagem no mundo, 2005

É, então, necessário manterem-se elevados os índices de vacinação na população menor de 5 anos. O Ministério da Saúde estabelece a meta de atingir 95% da população-alvo em pelo menos 80% dos municípios, durante as campanhas de vacinação em massa. No Estado de São Paulo, em média, 3,2 milhões de crianças entre 0 e 4 anos são vacinadas em cada uma das duas etapas da campanha (tabela 1) e a maioria dos municípios alcança a meta proposta.

Tabela 1
Cobertura vacinal e homogeneidade nas campanhas de vacinação
contra a poliomielite – São Paulo, 2002 a 2005

ANO

1ª FASE

2ª FASE

Doses aplicadas

CV
(%) 

Homog
(%)

Doses
aplicadas

CV
(%) 

Homog
(%)

2002

3.264.790

94,67

82,2

3.245.364

94,11

86,5

2003

3.224.211

96,37

84,8

3.240.312

96,85

86,2

2004

3.081.974

91,85

76,7

3.154.842

94,02

79,6

2005

3.053.141

92,42

80,0

 

 

 

CV = cobertura vacinal
Homog = homogeneidade – proporção de municípios com CV > 95%
Fonte: NIVE/Divisão de Imunização/CVE/CCD/SES-SP
Estimativa populacional = Seade/sobrevivência de nascidos vivos

Em 2005, na primeira fase realizada no mês de junho, dados definitivos indicam que 3.053.141 crianças foram vacinadas, representando 92,4% da população estimada de 0 a 5 anos – meta de cobertura vacinal não atingida. Dentre os 645 municípios, 516 atingiram mais de 95% desta população, significando 80% de homogeneidade de cobertura vacinal adequada – homogeneidade satisfatória (figura 2).

Figura 2
Campanha de vacinação contra a poliomielite
Cobertura vacinal por município, junho 2005 


População = Seade/2005/ sobrevivência de nascidos vivos
Fonte: Divisão de Imunização/CVE/CCD/SES-SP

Os outros 129 municípios obtiveram resultados menores do que 95% e, diferente do apontado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI/MS), que identifica que a maioria dos municípios que não atinge a meta tem menos de 2.000 crianças na faixa etária-alvo(1), 60% dos municípios paulistas têm maiores contingentes populacionais nesta faixa etária (figura 3). Estes municípios concentram-se nas regiões de São José do Rio Preto e Campinas (tabela2). 

Tabela 2
Número de municípios com CV<95% por Regional, junho 2005

DIR

MUNICÍPIOS CV < 95%

N

%

Capital

1

0,8%

Santo André

4

3,1%

Mogi das Cruzes

3

2,3%

Franco da Rocha

2

1,6%

Osasco

9

7,0%

Araçatuba

2

1,6%

Araraquara

4

3,1%

Assis

5

3,9%

Barretos

1

0,8%

Bauru

5

3,9%

Botucatu

3

2,3%

Campinas

15

11,6%

Franca

0

0,0%

Marília

8

6,2%

Piracicaba

5

3,9%

Presidente Prudente

9

7,0%

Registro

3

2,3%

Ribeirão Preto

3

2,3%

Santos

2

1,6%

S.J.B. Vista

11

8,5%

S.J. Campos

2

1,6%

S.J. Rio Preto

16

12,4%

Sorocaba

12

9,3%

Taubaté

4

3,1%

TOTAL

129

100,0%

População = Seade/2005/sobrevivência de nascidos vivos
Fonte: Divisão de Imunização/CVE/CCD/SES-SP

Figura 3
Proporção de municípios de acordo com a população de crianças
menores de 5 anos


População = Seade/2005/sobrevivência de nascidos vivos
Fonte: Divisão de Imunização/CVE/CCD/SES-SP

Por outro lado, o número necessário de crianças a serem vacinadas para atingir 100% de homogeneidade se concentra nos grandes centros urbanos – regiões metropolitanas e alguns municípios-sede de Regionais de Saúde (figura 3). 

Estes resultados merecem atenção na discussão das estratégias que serão desenvolvidas para a segunda fase da campanha, visando não só a vacinação de maior número de crianças como também a não formação de bolsão de suscetíveis. 

Figura 4
Campanha de vacinação contra poliomielite
Número de crianças não vacinadas para o alcance da meta (CV=95%),
junho 2005

População = Seade/2005
sobrevivência de nascidos vivos
Fonte: Divisão de Imunização/CVE/CCD/SES-SP

Vacinação contra a influenza

Dados definitivos da campanha de 2005 indicam que foram aplicadas 2.792.380 de doses durante a campanha, atingindo 77,8% da população com 60 anos ou mais de idade. A maioria dos municípios paulistas (80%) vacinou mais de 70% da população-alvo residente em sua área (figura 5). 

Figura 5
Campanha de vacinação contra influenza, população 60 ou mais anos
Cobertura vacinal por município, abril 2005

População = IBGE/2005
Fonte: Divisão de Imunização/CVE/CCD/SES-SP

Diferentemente do observado no dado definitivo da campanha contra a poliomielite, dentre as 53 cidades que não atingiram esta meta, a maior parte possui pequeno contingente populacional (menos de 5.000 habitantes com 60 anos ou mais) e concentra-se nas regiões de Bauru (20%) e São José do Rio Preto e Sorocaba, com 17% cada (figuras 6 e 7).

Figura 6
Proporção de município que não atingiram a meta, de acordo com a população de pessoas com 60 ou mais anos

População = IBGE
Fonte: Divisão de Imunização/CVE/CCD/SES-SP

Figura 7
Campanha
contra influenza em pessoas com 60+ anos
Proporção de municípios que não atingiram a meta de acordo com a Regional

População = IBGE
Fonte: Divisão de Imunização/CVE/CCD/SES-SP

A identificação local dos motivos que impedem o alcance da meta proposta se faz necessária. A utilização de “Monitoramentos Rápidos” pode constituir ferramenta útil neste aspecto. O monitoramento não tem rigor estatístico, sendo apenas um formulário de visita casa a casa, em áreas com suspeita de baixa cobertura vacinal, recomendado pelo Programa Nacional de Imunizações por ocasião das campanhas de seguimento contra o sarampo. Adaptando o instrumento para a vacinação contra influenza, municípios como Itápolis, Elias Fausto, Vera Cruz, São Carlos e Salto Grande, dentre outros, realizaram alguns destes monitoramentos e puderam identificar que “o medo de reações” e a crença de que “tendo boa saúde não é preciso vacinar-se” ainda constituem fatores importantes, que necessitam ser trabalhados para quebrar resistências à vacinação. 

Bibliografia consultada

  1. SVS/MS - Secretaria de Vigilância à Saúde/ Ministério da saúde. Programa Nacional de Imunizações.  Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite – 2005. [informe técnico on-line]. Brasil (DF), 2005.
    http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/informe_polio_2005.pdf
     
    [consulta 2005 julho 18].


Coordenadoria de Controle de Doenças