A varicela é uma infecção viral de
transmissão direta e distribuição universal. Ela tem sido
considerada uma doença que virtualmente infecta quase todas as
pessoas que chegam à idade adulta. Em geral, a varicela é uma doença
benigna quando ocorre em crianças saudáveis. A infecção é
associada a risco de complicações sérias, incluindo morte,
principalmente quando afeta pacientes imunocomprometidos, recém-nascidos,
mulheres grávidas e adultos normais, especialmente os fumantes, que
apresentam risco elevado de pneumonia (Arbeter,
1984; Preblud, 1986; Fairley
&
Miller, 1996;
Wharton, 1996;
Seward, 1998).
Em climas
temperados, a varicela é uma doença de escolares e pré-escolares,
sendo que a maioria dos casos ocorre no inverno e primavera. A idade média
de aquisição da varicela apresentou uma mudança para crianças mais
jovens nos anos 90, paralelamente ao aumento do número de crianças
de menor idade ingressando em pré-escolas e creches. Atualmente, a
grande maioria das crianças adquire varicela durante a pré-escola ou
nos primeiros dois anos de vida escolar. Nos Estados Unidos e Reino
Unido, há evidências epidemiológicas recentes que sugerem mudança
na distribuição etária dos casos de varicela para idades mais
altas, provavelmente resultante da imigração para estes países de
adultos suscetíveis ao vírus varicela-zoster (VVZ), vindos de
localidades tropicais, onde é mais alta a idade da primeira infecção
( Finger et al.,1994; Preblud,
1986; Seward, 1998; Fairley
&
Miller, 1996; Wharton, 1996).
A disseminação
do vírus varicela-zoster ocorre através da liberação de aerossóis
respiratórios, do mesmo modo que em outras doenças exantemáticas da
infância, podendo ser transmitida antes do aparecimento das lesões
de pele. A transmissão também acontece através de secreções
nasofaringeanas ou de lesões cutâneas ou, ainda, pelo contacto
direto com as lesões, tanto de pacientes com varicela quanto com
herpes-zoster. O primeiro dia de infecção pelo vírus raramente é
reconhecido pelo hospedeiro humano. O período de incubação
independe da exposição, variando de 10 a 21 dias. Os pacientes com
varicela são considerados infectantes desde 24 a 48 horas antes dos
sintomas nos últimos dias do período de incubação, até 4 a 5 dias
após o aparecimento do exantema ou a completa formação das crostas. A
infectividade do herpes-zoster também ocorre pelo trato respiratório,
apesar do período de contágio ser menor, de aproximadamente dois
dias (Arvin, 1996; Grose,
1996). Assim como outros herpesvírus, o VVZ persiste em uma fase
latente e ao ser reativado reemerge, causando a doença.
O
herpes-zoster é causado pela reativação do VVZ latente na raiz
dorsal e gânglios sensoriais dos indivíduos que apresentaram a infecção
primária, a varicela de forma aparente ou subclínica. Essa reativação
pode estar associada às condições de imunidade celular do indivíduo.
A incidência do herpes-zoster aumenta com a idade, porque a imunidade
celular geral e específica contra o VVZ diminui com o envelhecimento,
na presença de doença imunossupressiva, na infecção pelo o vírus
da imunodeficiência humana, no uso de terapia imunossupressiva,
particularmente radioterapia ou transplante de medula óssea, e, também,
seguindo-se à infecção primária intra-útero ou no início da infância,
quando a resposta imune normal é diminuída (Levin
&
Hayward, 1996). O
contágio do herpes-zoster se dá, principalmente, pelo contacto
direto com as vesículas infectadas, podendo ocasionar casos de
varicela em indivíduos suscetíveis.
Em geral, não existe dificuldade
no reconhecimento de formas típicas da varicela, particularmente se
houver história de exposição. O diagnóstico pode ser mais difícil
em pacientes imunocomprometidos, que podem apresentar quadros
progressivos com envolvimento visceral. Casos modificados podem
seguir-se à imunização passiva ou ativa, necessitando muitas vezes
de confirmação laboratorial.
A varicela apresenta um custo
social e econômico, mesmo considerando-se crianças previamente saudáveis,
e não tanto relacionado à severidade da doença, mas principalmente
devido à sua inevitabilidade. Estes custos incluem despesas médicas,
como consultas, uso de terapêutica sintomática ou antiviral,
hospitalizações devido a complicações e, principalmente, o ônus
financeiro relacionado ao absenteísmo dos responsáveis pela criança,
que necessita ser afastada da escola ou da creche e cuidada em nível
domiciliar por um período em torno de cinco dias (Huse et
al., 1994; Lieu et al.,1994; Preblud, 1986).
Em 1975, a
vacina contra a varicela foi desenvolvida no Japão, a partir do VVZ
atenuado, tornando possível a prevenção da infecção primária em
crianças saudáveis. A vacina Oka/Biken encontra-se licenciada para
uso nessas crianças no Japão e Coréia, desde 1986 e 1988,
respectivamente. A vacina Oka/Merck foi licenciada para uso em crianças
saudáveis, adolescentes e adultos nos Estados Unidos, em 1995, assim
como a Oka/Rit na Alemanha e Suécia (Tan et
al., 1996; White, 1996).
Vários
estudos demonstraram que a vacina é segura e imunogênica em crianças,
adultos saudáveis e em pacientes imunocomprometidos. A vacina mostrou
boa tolerabilidade, com poucas reações colaterais locais (vermelhidão
e dor no local de aplicação). Estudos demonstraram que a vacina tem
eficácia em torno de 80% na proteção contra qualquer forma da doença,
e de 98% na prevenção de doença moderada ou severa. A análise dos
custos e benefícios da vacinação contra varicela, de situações
relacionadas à doença, como tratamento médico e perda de dias de
trabalho pelos responsáveis, e também da incidência cumulativa da
doença em longo prazo nas faixas etárias de risco mais elevadas,
considerando-se a vacinação em idades precoces, mostrou ser ela
custo-efetiva, resultando em benefícios a sua inclusão em programas
de vacinação rotineira (Huse et
al., 1994).
Antes da
ampla utilização da vacina, a varicela acometia aproximadamente
quatro milhões de pessoas por ano nos Estados Unidos. Dados de vigilância
de áreas sentinelas mostram que, desde 1995, ocorre uma dramática
redução da incidência da doença (em torno de 90%) e da mortalidade
(cerca de 66%). A maior queda ocorreu no grupo alvo primário da
vacinação, crianças de 1 a 4 anos de idade (Vasquez & Shapiro,
2005; Nguyen et al., 2005).
A varicela não é doença notificável
no Brasil, tornando difícil a estimativa de sua prevalência em nosso
meio. No entanto, os surtos da doença em creches, pré-escolas,
escolas e comunidade em geral devem ser notificados ao Sistema
Nacional de Agravos Notificáveis (Sinan).
A vacina contra varicela
encontra-se disponível no Brasil desde 1998, nos Centros de Referência
para Imnobiológicos Especiais (Cries), em três apresentações
comerciais (Varicela Biken®, Varilrix® e Varivax®), todas elas
utilizando a cepa japonesa original, Oka (SES/CVE-SP, 2004).
No ano de 2003 foram notificados
quase 60.000 casos de varicela no Estado de São Paulo (ESP), com um
total de 60 óbitos. No mesmo ano, a Secretaria de Estado da Saúde de
São Paulo incluiu a vacina contra a varicela como uma das medidas de
controle deste agravo em creches, pois é sabido que nestes locais a
incidência de varicela é maior do que em crianças da população em
geral. Além disso, as manifestações clínicas nos casos secundários
tendem a ser mais intensas do que no caso índice, com uma taxa de
mortalidade mais elevada (SES/CVE-SP, 2004).
Em 2004, foram notificados 8.676
casos de varicela e até o final de maio de 2005 já foram
contabilizados 613 casos no Estado, distribuídos na grande maioria
das Regionais de Saúde.
No final de maio de 2005, a
Secretaria de Saúde de São José do Rio Preto informou que o município
evidenciou uma seqüência de surtos de varicela em creches e escolas
localizadas em várias regiões da cidade.
São
Paulo compõe-se de 24 Regionais de Saúde (DIR), estando a de São José do Rio Preto (SJRP) situada a
Noroeste do Estado, com
101 municípios em sua área de abrangência (figura 1).
Figura 1
Estado de São Paulo, DIR SJRP e município de SJRP

Na
Regional de São José do Rio Preto (DIR XXII) foram registrados 121,
39 e 17 surtos em creches e escolas nos anos de 2003, 2004 e 2005,
respectivamente.
Para
a investigação epidemiológica dos surtos, a DIR XXII e o município
de São José do Rio Preto solicitaram à Divisão de Doenças de
Transmissão Respiratória, do Centro de Vigilância Epidemiológica,
da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, a visita da equipe do
EPISUS-SP, que se deslocou ao município entre 1 e 3 de junho de 2005,
realizando a investigação em conjunto com as equipes da regional e
municipal de Vigilância Epidemiológica.
Os
principais objetivos da investigação foram:
·
conhecer a situação clínica
e epidemiológica de varicela da Regional XXII, em especial no município
de São José do Rio Preto;
·
investigar os casos
confirmados de varicela através do Boletim de Notificação de Surtos
e Ficha de Outros Agravos, realizando a busca ativa de casos por meio
de visita às creches e escolas que notificaram surtos da doença no
ano de 2005.
Caracteriza-se
como surto a ocorrência de dois ou mais casos de varicela,
confirmados clinicamente, restritos a um mesmo estabelecimento, num
período menor do que quatro semanas. Vale ressaltar que a vacina está
indicada em crianças de 1 a 5 anos que freqüentam creches e são
suscetíveis à doença, a partir da ocorrência do primeiro caso, no
período máximo de até quatro semanas do último caso (SES/CVE-SP,
2004).
Previamente
à investigação de campo nas creches e/ou escolas, foram realizadas
reuniões com os grupos de Vigilância Epidemiológica da Regional e
do município, a fim de planejar a execução da investigação.
Quatorze
estabelecimentos foram visitados, dentre os quais sete creches, cinco
pré-escolas e duas escolas. Foram investigadas as crianças que freqüentavam
as classes nas quais ocorreram casos de varicela, analisando-se os
casos e não casos, a situação de suscetibilidade à doença, isto
é, se já tiveram quadro de varicela no passado ou vacinação prévia.
Outras variáveis também foram analisadas, tais como idade, sexo,
bairro de moradia, período de permanência na creche, contato com
outro caso confirmado na creche ou domicílio, hospitalização dos
casos e medidas de controle no surto atual.
Foram
identificados 118 casos, dos quais 77 (65,3%) freqüentavam creches,
33 (27,9%) pré-escolas e 8 casos (6,77%) freqüentavam o ensino
fundamental em escolas. A taxa de ataque em cada estabelecimento está
descrita no quadro abaixo.
Quadro 1
Taxa de ataque de casos de varicela, segundo escolas e creches.
Município de São José do Rio Preto, janeiro a maio de 2005 (até
31/5/05). N = 118, 14 estabelecimentos.
|
INSTITUIÇÃO
|
NOME
|
BAIRRO
|
CASOS
|
TOTAL DE ALUNOS
|
TAXA DE ATAQUE
(%)
|
CRECHE
|
TACLA SAID BENETI
|
STO ANTONIO
|
2
|
230
|
0,87
|
|
GRACIA MARIA S. BORTOLETO
|
ENG SCHMIDT
|
2
|
92
|
2,17
|
|
MARIA INES ARNAL
|
JOAO PAULO II
|
4
|
166
|
2,41
|
|
AMOR SYLVIA PURITA
|
SOLO SAGRADO
|
6
|
161
|
3,73
|
|
AMÉLIA BALBO SACCHETIN
|
JD OLIVEIRAS
|
12
|
235
|
5,11
|
|
OSWALDO DE CARVALHO
|
JD MARIA LUCIA
|
24
|
242
|
9,92
|
|
CAMINHO DO FUTURO
|
JD ITAPEMA
|
27
|
176
|
15,34
|
|
PRE-ESCOLA
|
PATO DONALD
|
BOA VISTA
|
3
|
229
|
1,31
|
|
MONICA E CEBOLINHA
|
JD B HORIZONTE
|
12
|
294
|
4,08
|
|
DOM BOSCO
|
CIDADE NOVA
|
3
|
66
|
4,55
|
|
EXATA
|
BOA VISTA
|
2
|
40
|
5,00
|
|
PRINCIPE ENCANTADO
|
P INDUSTRIAL
|
13
|
139
|
9,35
|
|
ESCOLA
|
PADRE CLEMENTE MANTON
|
ENG SCHMIDT
|
2
|
850
|
0,24
|
|
RUI NAZARÉ
|
JAGUARE
|
6
|
909
|
0,66
|
TOTAL
|
118
|
3829
|
3,08
|
Fonte:
escolas e creches de São José do Rio Preto
Os dados apresentados abaixo referem-se aos
surtos investigados em creches e pré-escolas. Nos 12 estabelecimentos
investigados, o caso índice ocorreu em 6 de fevereiro e o último, 30
de maio de 2005. O pico da doença ocorreu entre as semanas epidemiológicas
19 a 21, que correspondem ao período de 8 a 28 de maio de 2005.
Sabe-se que a maior incidência desta doença ocorre ao final do
inverno e início da primavera (Wharton 1996; Carvalho e Martins 1999;
Mandell et al., 2000;
Pickering, 2000; Reis et al.,
2003; SES/CVE-SP 2004). Portanto, o pico observado pode significar a
fase inicial da ascensão da incidência desse agravo em São José do
Rio Preto, a depender da quantidade de suscetíveis.
Apenas um caso foi hospitalizado e não houve nenhum óbito.
Gráfico
1
Curva epidêmica dos casos de varicela relacionados a surtos em
creches e escolas do Município de São José do Rio Preto, janeiro
a maio de 2005
(até 31/5/05)

Fonte: escolas e creches de São José do Rio Preto
A
média de idade dos casos foi de 2,85 anos, o que é estatisticamente
diferente da média de idade entre os alunos que não desenvolveram
varicela, que foi de 3,67 anos. As medianas foram 2,0 e 3,0 anos,
entre casos e não casos, respectivamente.
Não
houve predomínio da doença em nenhum dos gêneros.
Com
relação à história de contato, 93 (84,5%) dos casos tiveram
contato com outros casos nas creches ou escolas; apenas dois foram
identificados como casos secundários de casos índices domiciliares;
e em 15 casos não foi possível conhecer a história de contato. Três
casos de varicela tinham recebido vacinação prévia (um no ano de
2002 e dois em 2004).
Quatorze
pacientes haviam recebido a vacina como medida de controle para o
presente surto, o que não foi suficiente para abortar a doença.
Nesses casos, o tempo médio entre a vacinação e o desenvolvimento
da doença foi de 4,64 dias, com mediana de 4 dias.
A
Academia Americana de Pediatria recomenda a administração da vacina
contra a varicela em crianças suscetíveis dentro de 72 horas e,
possivelmente, até 120 horas após a exposição à doença, para
prevenir ou modificar o seu curso. Caso a exposição à doença não
leve à infecção, a imunização pós-exposição deverá resultar
em proteção contra exposição subseqüente. Algumas crianças que
tenham sido expostas na mesma época do caso índice poderão não ser
protegidas com a vacinação de bloqueio.
Não há evidências de que a vacina mencionada durante a
fase pré-sintomática ou prodrômica da doença aumente o risco de
eventos adversos associados à vacina ou de uma doença natural mais
grave (Red Book, 2000).
Vale
ressaltar que é muito difícil saber com precisão o exato momento da
exposição à doença, principalmente num contexto de surto, em que várias
crianças de uma mesma sala podem apresentar a doença em momentos
diferentes, e a transmissão se inicia, por via respiratória, 1 a 2
dias antes do aparecimento do exantema, se estendendo enquanto houver
vesículas (Stocco, 1990; Wharton, 1996; Carvalho e Martins, 1999;
Feldman, 2002). A varicela, sendo altamente contagiosa, se dissemina
pelo contato direto pessoa a pessoa, por meio do exantema vesicular
ativo ou de partículas aéreas (aerossóis) de secreções respiratórias
transmitidas pelo ar (Wharton, 1996; Ferrer, 2000; Gentile et al.,
2000; Mandell et al., 2000; Pickering, 2000; Chong et al., 2004; SES/CVE-SP,
2004).
Quadro
2
Resumo das variáveis analisadas em surtos de varicela em creches e
escolas. Município de São José do Rio Preto, janeiro a maio de
2005 (até 31/5/05). N = 792, 12 estabelecimentos
|
Variáveis
|
Idade
média (anos)
|
Idade
mediana (anos)
|
Variação
a Idade
(anos)
|
Sexo
(N e %)
|
História
de Contato
(N e %)
|
Antecedente
de
Varicela
(N e %)*
|
Vacinação
prévia
(N e %)**
|
|
Casos
N=110
|
2,85
|
2,00
|
0,5
- 7,0
|
M:
50 (45,5%)
F: 60 (54,5%)
|
Creche:
93 (84,5)
Domicílio: 2 (1,81)
Ignorado: 15 (13,6)
|
0
(0,0)
|
3
(2,94)
|
|
Não
Casos
N=682
|
3,67
|
3,00
|
0,3
- 6,0
|
M:
362 (53,1)
F: 320 (46,9)
|
Creche:
591 (86,6)
Domicílio: 0 (0)
|
122
(22,4)
|
54
(9,39)
|
Fonte: escolas e creches
de São José do Rio Preto
* Excluídos 137 não casos e 9 casos ignorados quanto ao antecedente
de varicela
** Excluídos 107 não casos e 8 casos ignorados quanto ao antecedente
de vacinação prévia contra varicela
Em
relação ao local de moradia, os alunos dos 12 estabelecimentos são
provenientes de 90 bairros distintos, e os casos, moradores de 37
bairros, não apresentam nenhum padrão de concentração espacial, o
que sustenta a hipótese de que a maioria dos casos tenha se exposto
dentro das escolas e creches.
A
descrição dessa investigação em creches e escolas do Município de
São José do Rio Preto representa uma situação bastante comum no
Estado de São Paulo, motivo pelo qual são tão discutidas as estratégias
de imunoprofilaxia para a varicela, dentre outras medidas de controle,
justificadas ainda pela possibilidade de uma evolução não satisfatória
e taxas de mortalidade mais expressivas dos casos inseridos em
contextos de surtos nesses estabelecimentos.
Agradecimento
especial
Equipes técnicas das Vigilâncias Epidemiológicas
da DIR XXII – São José do Rio Preto e do Município de São José
do Rio Preto, do Instituto Adolfo Lutz de São José do Rio Preto e
demais colaboradores na investigação do surto acima descrito.
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