Introdução
A
Febre Maculosa Brasileira (FMB) é uma doença infecciosa aguda de
gravidade variável, causada pela bactéria Rickettsia rickettsi
e transmitida pelo carrapato do gênero Amblyomma. Os homens,
hospedeiros acidentais, não são considerados reservatórios da doença
e não colaboram com a propagação do agente.
O
Brasil registra ocorrência de casos nos Estados de Minas Gerais, Rio
de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Bahia.
Em São Paulo é de notificação compulsória no desde 2002.
Até a década de 80, em São
Paulo, os casos eram provenientes dos municípios de Mogi das Cruzes,
Diadema e Santo André, todos da Região Metropolitana. A partir de
1985, foram identificadas as primeiras suspeitas nos municípios de
Pedreira e Jaguariúna, na época pertencente à região de São João
da Boa Vista. Em 1987, foram registrados os primeiros casos
confirmados laboratorialmente no Município de Pedreira. A partir de
então, vários casos suspeitos foram confirmados nas regiões de
Campinas e São João da Boa Vista. Além da região de Campinas,
outros municípios do Estado apresentam casos de FMB: Piracicaba,
Salto, Mogi das Cruzes, Santo André, São Bernardo, Diadema, Ribeirão
Pires, Mauá e Município
de São Paulo. No período de 1985 a 2004 foram confirmados 155 casos.
Tabela 1
Incidência (por
100.000 hab.), óbitos e taxa de letalidade por ano de
febre maculosa brasileira no Estado de São Paulo – 1985 a 2004
| ANO |
Nº DE
CASOS |
Nº DE
ÓBITOS |
INCIDÊNCIA |
LETALIDADE |
| 1985 |
3 |
1 |
0,01 |
33,3 |
| 1986 |
5 |
4 |
0,02 |
80,0 |
| 1987 |
3 |
1 |
0,01 |
33,3 |
| 1988 |
3 |
3 |
0,01 |
100,0 |
| 1989 |
1 |
0 |
0,00 |
0,0 |
| 1990 |
0 |
0 |
0,00 |
0,0 |
| 1991 |
0 |
0 |
0,00 |
0,0 |
| 1992 |
1 |
0 |
0,03 |
0,0 |
| 1993 |
5 |
1 |
0,02 |
20,0 |
| 1994 |
3 |
1 |
0,01 |
33,3 |
| 1995 |
4 |
4 |
0,01 |
100,0 |
| 1996 |
6 |
3 |
0,02 |
50,0 |
| 1997 |
2 |
1 |
0,01 |
50,0 |
| 1998 |
13 |
6 |
0,04 |
46,2 |
| 1999 |
2 |
0 |
0,01 |
0,0 |
| 2000 |
16 |
2 |
0,04 |
12,5 |
| 2001 |
15 |
11 |
0,04 |
73,3 |
| 2002 |
9 |
4 |
0,02 |
44,4 |
| 2003 |
30 |
12 |
0,08 |
40,0 |
| 2004* |
34 |
11 |
0,09 |
32,4 |
| TOTAL |
155 |
65 |
|
|
*1 caso importado de Minas Gerais
Fonte: Divisão de Zoonoses – CVE
Mapa
Distribuição dos
municípios com transmissão de febre maculosa
no
Estado de São Paulo – 1998 a 2004

Nas
últimas duas décadas vem aumentando a importância da FMB enquanto
agravo de saúde publica. Essa importância se justifica pelo
crescente número de casos diagnosticados, elevadas taxas de
letalidade e expansão das áreas de transmissão, que não se
restringem mais às áreas rurais e de mata, pois existe ocorrência
de casos em áreas urbanas e peri-urbanas, mostrando mudanças na
ecologia da doença.
No
mês de maio foi confirmado o primeiro caso no Município de Ribeirão
Preto, por meio de exame sorológico. Trata-se de um paciente do sexo
masculino, de 5 anos de idade, residente no Município de Ribeirão
Preto, que em 23/11/2004 foi passear no sítio do avô, na mesma
cidade, referindo contato com carrapato. No dia 30/11/2004 iniciou
sintomas de febre, linfoadenopatia e exantema em tronco e membros
superiores, segundo dados da Ficha de Investigação Epidemiológica.
Procurou
atendimento médico no Hospital das Clínicas em 4/12/2004, quando
foram feitas as seguintes hipóteses diagnósticas: febre maculosa,
mononucleose, toxoplasmose e infecção no trato gênito-urinário. As
sorologias para toxoplasmose e mononucleose foram negativas.
A
primeira amostra de sangue para febre maculosa foi colhida em 7/12/04
e a segunda, em 16/2/2005. O resultado da Reação de Imunofluorescência
mostrou soroconversão, com primeira amostra negativa e segunda
amostra com título >= 64. Diante do caso positivo, foi
desencadeada a investigação para verificar condições ambientais
propícias para transmissão da doença e a presença da população
vetora que ainda está em andamento.
Esse
caso corrobora a necessidade de implementação da vigilância acarológica
e vigilância epidemiológica de casos para detecção de novas áreas
de transmissão.
Vigilância Epidemiológica
Todos
os casos suspeitos de FMB devem ser notificados às vigilâncias
municipais, que por sua vez notificarão as vigilâncias epidemiológicas
das DIRs, para que se proceda à investigação e tomada das medidas
de controle.
Definição de caso suspeito
- Indivíduo que apresente febre de moderada a
alta, cefaléia, mialgia e história de picada de carrapatos e/ou
tenha freqüentado área sabidamente de transmissão da febre
maculosa, nos últimos 15 dias; ou
- Indivíduo que apresente febre de início súbito,
mialgia, cefaléia, seguidas de aparecimento de exantema máculo-papular
entre 2 a 5 dias dos sintomas e manifestações
hemorrágicas, excluídas outras patologias.
Definição de caso confirmado
- critério laboratorial, quando o agente etiológico
for isolado em cultura ou quando a sorologia de duas amostras,
colhidas com intervalo médio de 15 dias, mostrar soroconversão
de quatro vezes o título, ou imuno-histoquímica positiva para
antígenos de Rickettsia sp.
- critério clínico-epidemiológico, quando o
paciente for a óbito com quadro compatível de Febre Maculosa
Brasileira e tenha antecedente epidemiológico de ter freqüentado
área sabidamente de transmissão de FMB e vínculo com casos
confirmados laboratorialmente recentemente, com ou sem história
de picada de carrapatos, e não tenha sido possível colher exames específico
ou este foi colhido em época inadequada.
Definição de caso compatível
- Indivíduo com clínica sugestiva de febre
maculosa (febre, cefaléia, mialgia, exantema máculo-papular
etc.), que apresente reação sorológica positiva, isto é, reação
de imunofluorescência indireta com título >= 1/64 em amostra
única, ou duas amostras colhidas com intervalo de 10 a 14 dias,
sem que se confirme diferença de título no mínimo de quatro
vezes entre as mesmas.
Investigação Epidemiológica
Todos
os casos suspeitos deverão ter Ficha de Investigação Epidemiológica
preenchida e coleta oportuna de material para diagnóstico específico.
Para determinar o local provável de infecção devem ser investigados
os locais de moradia, trabalho, lazer e demais locais freqüentados
nos últimos 15 dias pelos casos suspeitos, para a verificação de
presença de população vetora estabelecida e/ou presença de condições
naturais favoráveis para estabelecimento da população vetora
(hospedeiro primário, vegetação etc.).
A partir da confirmação do local provável de
infecção são desencadeadas medidas de controle ambiental e
atividades educativas para prevenção de novos casos.
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