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Em 14 de outubro de 1999, a Unidade de Farmacovigilância (Ufarm), da
Gerência Geral de Medicamentos da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa), autarquia vinculada ao Ministério da Saúde,
iniciou as discussões para a instalação do Sistema Nacional de
Farmacovigilância. Nessa primeira fase, em que se estabeleceram os
procedimentos administrativos básicos, foi compilada a bibliografia
necessária ao funcionamento do Centro Nacional de Farmacovigilância,
estabelecido o modelo de farmacovigilância a ser adotado e elaborada a
primeira versão do formulário de notificação de suspeita de reações
adversas a medicamentos.
Iniciou-se, em 2000, a notificação voluntária, disponibilizando-se,
na página eletrônica da Anvisa, formulários de notificação, que
muito impulsionou o processo de captação de notificações pelo órgão.
Em 2001, houve a criação do Centro Nacional de Monitorização de
Medicamentos (CNMM), sediado na Unidade de Farmacovigilância, por meio da
portaria MS/GM nº 696, de 7 de maio de 2001,
publicado na Seção 1 no D.O.U nº 88-E, de 8 de maio de 2001.
O Centro Nacional de Monitorização de Medicamentos
tem como missão montar o fluxo nacional de notificações de
suspeitas de reações adversas a medicamentos (RAM). Tem como
objetivo maior o mesmo do Programa Internacional de Medicamentos:
identificar, precocemente, uma nova reação adversa ou aumentar o
conhecimento de uma reação adversa pouco descrita que tenha uma possível
relação de causalidade com os medicamentos comercializados.
O Brasil foi admitido pela Organização Mundial de
Saúde (OMS) como o 62º país a fazer parte deste programa, coordenado pelo Centro Colaborador
Internacional para Monitorização de Medicamentos da OMS, localizado
em Uppsalla na Suécia (The Uppsala Monitoring Centre - WHO). Neste
contexto, o Brasil passou a ser membro oficial do programa, sediado na
Unidade de Farmacovigilância da Anvisa.
Os dois anos seguintes marcaram-se pelo trabalho de
implementação do modelo de farmacovigilância, formação de
profissionais no trabalho e em cursos acadêmicos, construção de
linguagem que propiciasse a troca de informações com as Vigilâncias
Sanitárias (Visas), estaduais e municipais, acompanhamento e avaliação
das ações e atividades efetuadas.
Grandes
projetos, que envolvem a formação de redes nacionais de
notificadores, tornaram-se realidade. A rede de hospitais sentinelas
possui, atualmente, 98 hospitais credenciados e 24 hospitais colaboradores, responsáveis pela coleta de dados e
relato de suspeitas de reações adversas. Isso representou aumento
significativo no número de notificações e ampliou as possibilidades
de investigação ante indícios de problemas com medicamentos. Tem
como principal objetivo notificar eventos adversos e queixas técnicas
de produtos de saúde: insumos, materiais e medicamentos, saneantes,
reagentes para provas laboratoriais e equipamentos médico-hospitalares
em uso no Brasil.
O processo de notificação
voluntária, iniciado em 2000, conta hoje com quatro formas de captação
de notificação por meio de formulários:
-
Formulário de notificação de suspeita de reação
adversa a medicamentos, próprio para profissionais de saúde;
-
Formulário de notificação de desvio da qualidade, próprio para
profissionais de saúde;
-
Comunicação de evento adverso, para usuário de medicamentos;
-
Sistema eletrônico de notificação (SINEPS), para
hospitais sentinelas.
O processo de notificação voluntária foi
intensificado com a participação dos parceiros nacionais.
Os hospitais sentinelas contribuíram com 61% das notificações.
As indústrias farmacêuticas e usuários de medicamentos
representaram a menor contribuição, 8%. As notificações do ano de
2004 representaram 39% do banco de
dados do CNMM, demonstrando crescimento significativo (figura 1).
Figura 1 – Notificações recebidas pela
Ufarm/Anvisa de 1999 a 2004
A Ufarm participa de ações de investigação in loco
de casos graves de eventos adversos, junto com outras Gerências da Anvisa
e em conjunto com os Estados, durante a vigência de surtos
relacionados a problemas de medicamentos. Em 2003, por exemplo, foram
investigados os seguintes temas: Celobar®; hidróxido de ferro III
polimaltosado; anfotericina; heparina; antimoniato de meglumina;
produtos oftalmológicos.
Uma estratégia da Ufarm é o desenvolvimento da farmacovigilância
descentralizada, ou seja, nas vigilâncias sanitárias estaduais,
especialmente, com a criação de centros estaduais. O Sistema Estadual
de Farmacovigilância passa pela colaboração entre diversas
entidades, tendo como destaque o pioneirismo do Núcleo de Farmacovigilância
do CVS - SP.
O
ano de 2004 trouxe novas idéias e perspectivas, com profissionais já
capacitados para repassar conhecimento e formar representantes dos
estados, na tentativa de incentivar a constituição de linguagem comum
no contexto de farmacovigilância, preparando parceiros para fortalecer
a rede de notificação nacional.
Em 15 de março de 2004, foi inaugurado o quadro de gestão à vista da
Ufarm, que inclui os seguintes temas, atualizados mensalmente:
-
taxa de notificações de suspeita de reações adversas graves geral;
-
taxa de notificação de suspeita de falha terapêutica grave avaliada;
-
taxa de notificações de suspeita de reação adversa a medicamentos
(RAM) por efeito extrínseco graves avaliadas;
-
taxa de notificações de suspeitas de RAM graves avaliadas. Os
indicadores atualizados estão disponíveis no seguinte endereço eletrônico
da rede interna da Anvisa:
http://intravisa/intra/s_agencia/areas/naest/proj_melhoria_gestao/acompanhamento.htm
Os alertas de Farmacovigilância divulgam informações sobre risco
potencial ou real do uso de medicamentos. Em 2004, foram publicados
sete alertas federais sobre o tema. Além disso, há os alertas
restritos, que são uma ferramenta de comunicação entre a Anvisa e a
rede sentinela, visando reforçar ou descartar as suspeitas de risco
com medicamentos comercializados. O acúmulo de informações poderá
promover um alerta público, quando gerado um sinal de alerta, que estão
disponíveis no seguinte endereço eletrônico da Anvisa na Internet: http://www.anvisa.gov.br/farmacovigilancia/alerta/index.htm
As farmácias paulistas são novas aliadas do poder público na
identificação de adversidades com os medicamentos vendidos no Brasil.
A Anvisa lançou no dia 20 de janeiro do presente ano, em São Paulo, o
projeto-piloto Farmácias Notificadoras, desenvolvido em parceria com o
Centro de Vigilância Sanitária do estado – CVS/CCD/SES-SP e o
Conselho Regional de Farmácia – CRF-SP, com o objetivo de aumentar o
número de informações qualificadas sobre reações adversas e
desvios da qualidade dos medicamentos. Os estabelecimentos que
integrarem o Projeto receberão o selo “Farmácia Notificadora” e
serão alternativa para os consumidores que quiserem fazer queixas
desses produtos.
O Estado de São Paulo está sendo pioneiro, novamente, com a adesão
ao projeto-piloto e contribuirá para a definição do fluxo de ações
por contemplar diferentes realidades e ter o maior número de farmácias
do País (14 mil). Essa fase terá duração máxima de seis meses.
Farmacêuticos de 43 farmácias — públicas e privadas — estão
participando do projeto-piloto. O farmacêutico, que se mantém em
contato direto com os usuários, deve adotar novo comportamento ao
ouvir queixas. Fará a coleta sistemática e a seleção das informações,
procedendo à notificação de suspeitas de reações adversas e
desvios da qualidade dos medicamentos comercializados, como uma nova
fonte de informação, especialmente para os medicamentos de venda
livre e fitoterápicos.
A efetivação de uma rede nacional de monitorização de medicamentos,
integrada e harmônica, promoverá o conhecimento do risco iminente no
sistema de saúde e no mercado farmacêutico brasileiro, permitindo a
identificação precoce de ameaças dos problemas relacionados com os
medicamentos.
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