Introdução
As doenças exantemáticas são
causadas por uma grande quantidade de agentes etiológicos, dentre os
quais os vírus respondem pela vasta maioria, traduzindo-se em
apresentações clínicas que podem ser confundidas com sarampo
e rubéola 1.
Atualmente, a Secretaria de Saúde
do Estado de São Paulo, assim como o Ministério da Saúde, têm,
entre outras metas, a erradicação do sarampo e o controle da rubéola
2, 3.
No estado de São Paulo, no
que se refere ao diagnóstico diferencial das doenças exantemáticas,
há somente dados de sarampo, rubéola e dengue, que são doenças de
notificação compulsória. Doenças como eritema infeccioso,
escarlatina e exantema súbito, entre outras, devem ser notificadas
apenas em situações de surtos.
Ao longo do mês de novembro,
os municípios de São José do Rio Preto (SJRP), Votuporanga, Nova
Aliança, Nova Granada e Magda notificaram à Vigilância Epidemiológica
(VE) da Direção Regional de Saúde de São José do Rio Preto (DIR
XXII), um aumento do número de casos de doenças exantemáticas,
solicitando a avaliação sorológica para o diagnóstico diferencial
de casos suspeitos de sarampo e rubéola. Na ocasião, já havia a hipótese
diagnóstica de eritema infeccioso, realizada por médicos da região.
Para
dar seguimento à investigação já iniciada pelos municípios, a VE
da DIR XXII solicitou à Divisão de Doenças de Transmissão Respiratória
do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde
de São Paulo (DDTR/CVE) a presença da equipe do EPI-SUS/SP (Programa
de treinamento em epidemiologia de
campo voltado ao Sistema Único de Saúde). Dessa forma, diversas
providências com relação à estratégia de campo foram tomadas
pelas equipes da DDTR/CVE e EPI-SUS/SP que se deslocaram à DIR XXII
no dia 1 de dezembro de 2004.
Os principais
objetivos desta investigação foram:
§
confirmar a existência de um surto;
§
conhecer a etiologia da doença exantemática em
questão;
§
investigar os casos suspeitos de sarampo e/ou rubéola
para o adequado descarte ou confirmação, de acordo com as normas
previstas no Guia de Vigilância do Plano de Erradicação do Sarampo,
Plano de Controle da Rubéola e Síndrome da Rubéola Congênita 3.
§
selecionar e coletar amostras para o diagnóstico
diferencial de doenças exantemáticas;
§
selecionar uma amostra de casos suspeitos de um
serviço particular do município de São José do Rio Preto.
MÉTODO
Para a investigação
de campo nos diversos municípios selecionados formaram-se equipes com
profissionais da DDTR/CVE, EPI-SUS/SP, DIR XXII e vigilâncias
epidemiológicas dos municípios envolvidos.
Foram realizadas
reuniões com as várias instituições envolvidas, com o objetivo de
se conhecer a atual situação dos casos de doença exantemática em São
José do Rio Preto e municípios vizinhos, assim como planejar a execução
da investigação de campo.
Durante as
visitas aos municípios foram investigados e selecionados casos para a
coleta de amostras com a finalidade de se pesquisar o diagnóstico
diferencial de doenças exantemáticas, de acordo com um fluxo
estabelecido com o Instituto Adolfo Lutz (IAL-Regional/SJRP e
IAL-Central/SP). O critério utilizado para a seleção dos casos foi
baseado em manifestações clínicas e na oportunidade da coleta de
amostras (até o 28o dia após o início do exantema).
As fontes de
informação utilizadas foram: fichas de atendimentos ambulatoriais,
fichas de notificação e investigação de doenças exantemáticas (Sinan),
fichas de notificação de surtos (Sinan), relatos de médicos da rede
pública e particular, resultados de exames realizados pelo
IAL-Regional e planilhas de casos de doença exantemática elaboradas
pelas vigilâncias epidemiológicas municipais e DIR XXII.
Os casos
notificados como sarampo ou rubéola seguiram o fluxo de investigação
epidemiológica e laboratorial já padronizado para estas doenças,
com amostras biológicas sendo processadas pelo IAL-Regional.
No município de
São José do Rio Preto realizou-se busca ativa em um serviço pediátrico
particular e de convênio, onde havia grande demanda de atendimentos.
Para a inclusão
de pacientes no surto, foi utilizada a seguinte definição de caso:
“indivíduo de qualquer idade, apresentando quadro clínico de exantema,
com ou sem febre; a partir de 20 de setembro de 2004, residente em
algum dos municípios da DIR XXII”.
As amostras
selecionadas para o diagnóstico de eritema infeccioso foram
processadas pela seção de vírus produtores de exantemas do
IAL-Central. Para a detecção laboratorial do parvovírus B19 foi
utilizado o Imunoensaio Enzimático
Biotrin Parvovírus B19 IgM, que é um teste imunoenzimático tipo
sanduíche de micro-captura, para a detecção de anticorpos da classe
IgM no soro e plasma humano. Nesse teste, a
presença ou ausência de anticorpos específicos da classe
IgM é determinada em relação a um valor de referência.
Resultados
Foram
investigados 206 casos em cinco municípios: Votuporanga, Magda, São
José do Rio Preto, Nova Aliança e Nova Granada; sendo que os dois últimos
se situam a menos de 40 km do município de São José do Rio Preto
(sede da DIR), e os dois primeiros, cerca de 100 km a Noroeste de São
José do Rio Preto. Com relação à distribuição geográfica dos
casos, a maioria residia nos municípios de São José do Rio Preto
(46,6%), Votuporanga (23,3%) e Nova Aliança (21,4%). O resumo da
distribuição de casos e coeficientes de incidência nos municípios
da DIR XXII está descrito na tabela 1.
Tabela
1
Distribuição de casos e coeficientes de incidência (por 1.000
habitantes) de doença exantemática, segundo município de residência.
DIR XXII*, 20 de setembro a 04 de dezembro de 2004 (semanas
epidemiológicas 38 a 48)
| MUNICÍPIO |
Nº
Casos |
%
Casos |
População |
Coeficiente
de
Incidência** |
| Nova
Aliança |
44 |
21,36 |
5.000 |
8,80 |
| Nova
Granada |
5 |
2,43 |
17.879 |
0,28 |
| Votuporanga |
48 |
23,30 |
80.100 |
0,60 |
| Magda |
13 |
6,31 |
3.315 |
3,92 |
| SJRP*** |
96 |
46,60 |
389.781 |
0,25 |
| TOTAL |
206 |
100,00 |
496.075 |
0,42 |
|
Fontes: Datasus / MS e Planilhas da
Vigilância Epidemiológica dos Municípios da DIR XXII.
* Municípios de São José do Rio Preto, Votuporanga, Magda, Nova Aliança e Nova Granada.
** por 1.000 habitantes
*** São José do Rio Preto |
Com relação ao
contato, 97 pacientes (47,1%) estudavam em creche ou escola onde
ocorreram outros casos de doença exantemática; 26 (12,6%) referiam
contato domiciliar e 71 (34,5%) não tinham história de contato com
outro caso semelhante.
Com
relação ao período de apresentação da doença, a maioria dos
pacientes desenvolveu os primeiros sintomas entre as semanas epidemiológicas
46 e 47, que correspondem de 14 a 27 de novembro de 2004. A curva
sugere modo de transmissão pessoa a pessoa, conforme demonstrado na
figura 1.
Figura 1
Curva epidêmica dos casos de doença exantemática segundo semana
epidemiológica do início dos sintomas. DIR XXII*, setembro a
dezembro de 2004

Fonte:
Planilhas da Vigilância Epidemiológica dos Municípios da DIR XXII
* Municípios de S.J.R.P., Votuporanga, Magda, Nova Aliança e Nova
Granada
O
coeficiente de incidência foi semelhante em ambos os sexos (0,36 e
0,37 por 1.000 habitantes, nos sexos feminino e masculino,
respectivamente).
A idade dos pacientes acometidos variou de 8
meses a 76 anos, com média de 9,9 anos e mediana de 7 anos. A faixa
etária mais acometida foi de 5 a 9 anos, com coeficiente de incidência
de 2,58 por 1.000 habitantes (figura 2).
Figura 2
Distribuição dos casos de doença exantemática segundo faixa etária
(número e coeficiente de incidência por 1.000 habitantes). DIR
XXII*, setembro a dezembro de 2004 (semanas epidemiológicas 38 a
48)

Fonte: Planilhas da Vigilância
Epidemiológica dos Municípios da DIR XXII
* Municípios de S.J.R.P., Votuporanga, Magda, Nova Aliança e Nova
Granada
Os
sinais e sintomas mais encontrados foram exantema (100%), febre (31%)
e gânglios (26%) (figura 3).
Figura 3
Distribuição dos casos de doença exantemática segundo sinais e
sintomas. DIR XXII*, setembro a dezembro de 2004 (semanas epidemiológicas
38 a 48)

Fonte: Planilhas da Vigilância
Epidemiológica dos Municípios da DIR XXII
* Municípios de S.J.R.P., Votuporanga, Magda, Nova Aliança e
Nova Granada
Na
figura 4 está demonstrado o exantema tipicamente encontrado nos casos
de eritema infeccioso em creches/escolas do município de São José
do Rio Preto.
Figura 4
Foto de criança com eritema infeccioso

Foto cedida pela VE do Município de São
José do Rio Preto
Nos
pacientes com vacinação conhecida, em nenhum caso houve associação
temporal entre o início do quadro clínico de exantema e a aplicação
da vacina contra sarampo e/ou rubéola.
Com relação à evolução de
todos os casos investigados, não se verificou nenhum óbito,
e apenas um paciente foi internado no município de
Votuporanga, recebendo alta sem seqüelas.
Considerando a avaliação clínica de
grande parte dos casos residentes nos municípios de São José do Rio
Preto, Votuporanga e Nova Aliança, que sugeria o diagnóstico de
eritema infeccioso, foram coletadas 26 amostras biológicas para a
realização de sorologia para parvovírus B19, processadas pelo
IAL-Central. O resultado de IgM foi reagente para este agente em 23
amostras (88,5%). Quatro casos inicialmente suspeitos no município de
Votuporanga tiveram diagnóstico sorológico de dengue, sendo excluídos
desta casuística por não terem apresentado exantema.
Um dos casos confirmados de
parvovírus do município de São José do Rio Preto era uma gestante
que adquiriu a infecção no primeiro trimestre da gestação. Foi
orientado seguimento acurado desta gestação.
O município de Nova Granada
havia notificado cinco casos de doença exantemática, dos quais três
pertenciam a uma mesma família e tiveram diagnóstico clínico de
escabiose, com resultado de IgM não reagente para sarampo, rubéola e
dengue. Com relação aos demais casos deste município, um não foi
encontrado devido a endereço incorreto, e o último caso era uma
criança de três anos que preenchia definição de caso para rubéola,
porém, com IgM não reagente para esta doença e para sarampo.
No município de Magda foram
notificados quatro casos de doença exantemática em uma mesma família,
os quais possuíam quadro clínico clássico de escarlatina, segundo a
avaliação de médicos da rede básica de saúde. A VE do município
realizou busca ativa em 506 prontuários de um serviço médico de
referência, de 01 a 30 de novembro de 2004, encontrando nove casos
suspeitos de dermatite alérgica. De acordo com a investigação
domiciliar, verificou-se que estes pacientes não preenchiam
definição de caso para sarampo, rubéola e/ou dengue.
Os resultados da investigação em cada município
estão descritos na figura 5.
Figura 5 –
Resultados da investigação etiológica nos municípios da DIR
XXII* setembro a dezembro de 2004 (semanas epidemiológicas 38 a
48)

Fontes: Planilhas da Vigilância
Epidemiológica dos Municípios da DIR XXII,
IAL-Central e IAL-Regional
* Municípios de S.J.R.P., Votuporanga, Magda, Nova Aliança e Nova
Granada
** mesmo caso
Foi
realizada busca ativa nas fichas de atendimento referentes aos meses
de setembro a novembro de 2004, em um serviço pediátrico particular
e de convênio em São José do Rio Preto. A relação de atendimentos
mensais e casos suspeitos está descrita na tabela 2.
Tabela 2
Resumo de atendimentos e casos suspeitos de doença exantemática do
pronto-atendimento pediátrico. Município de São José do Rio
Preto, setembro a novembro de 2004.
| Mês
de Atendimento |
Nº
de
Atendimentos |
Nº
de
Casos Suspeitos |
%
de
Casos Suspeitos |
| Setembro |
2.848 |
54 |
1,89 |
| Outubro |
2.248 |
82 |
3,65 |
| Novembro |
1.974 |
53 |
2,68 |
| Total |
7.070 |
189 |
2,67 |
|
Fonte: Fichas de pronto-atendimento pediátrico de SJRP |
Quanto
ao local de residência dos pacientes atendidos nesse serviço, 165
(86,8%) residiam em SJRP, 14 (7,4%) nos municípios adjacentes e não
foi possível conhecer o local de residência de 11 (5,8%) casos. A
idade variou de cinco meses a 15 anos,
com média de 5,2 anos e mediana de 4,8 anos. Não foi
possível obter dados em relação à variável sexo. Todas as
crianças apresentaram exantema, sintoma essencial no critério de
seleção. A febre esteve presente em 26,8% dos casos, o prurido em
24,2% e o aparecimento de
gânglios em 5,8%.
As
hipóteses diagnósticas de reação alérgica e urticária estiveram
presentes em aproximadamente 50% das fichas do pronto-atendimento e
diagnósticos de “exantemas a esclarecer” foram encontrados em
cerca de 30%.
DISCUSSÃO
Considerando
que o eritema infeccioso não é uma doença de notificação compulsória,
não existem dados de prevalência que possam indicar tendências do
comportamento desse agravo. Nesse caso, a confirmação da existência
de um surto fica prejudicada e dependente de um sistema de
vigilância epidemiológica local alerta para a detecção
oportuna do aumento de casos de doenças exantemáticas.
O
eritema infeccioso, também conhecido como a quinta doença, foi
descrito pela primeira vez no início do século XIX 4,5.
O agente etiológico desta doença, denominado posteriormente parvovírus
B19, foi detectado em 1981 no soro de duas crianças com anemia
falciforme, mas a primeira associação entre o parvovírus B19 e a
quinta doença foi feita apenas em 1984, por ocasião de um surto em
uma escola de Londres 5.
A doença afeta principalmente
crianças entre 5 e 15 anos de idade, com igual distribuição
entre os sexos 4,5,6,7.
No presente surto também foi encontrada incidência praticamente
igual em ambos os sexos. A faixa etária mais acometida foi de 5 a 9
anos, com coeficiente de incidência de 2,58/1.000, seguida da faixa
etária de 1 a 4 anos (1,72/1.000 habitantes).
O período de incubação
varia de 4 a 14 dias 7,8,9.
A transmissão do parvovírus B19 ocorre
através de secreções respiratórias, facilitada pelo contato íntimo
pessoa a pessoa em comunidades fechadas, como domicílios, escolas e
creches 6,9. Encontramos
97 pacientes (46,2%) que estudavam em creche ou escola onde ocorreram
outros casos de doença exantemática e 26 (12,4%) referiam contato
domiciliar com casos semelhantes.
Casos de eritema infeccioso
podem ocorrer ao longo de todo o ano; no entanto, os surtos apresentam
um padrão sazonal, com maior incidência no final do inverno e início
da primavera 5,6,8,9.
O surto investigado apresentou um aumento do número de casos a partir
do final do mês de setembro, que representa o início da primavera.
No Brasil, este agente é
diagnosticado apenas durante a investigação sorológica dos diagnósticos
diferenciais de casos suspeitos de sarampo e rubéola 2,3.
No município de Campinas foi
desenvolvido um projeto de doenças febris exantemáticas, com a
participação de instituições nacionais e internacionais, durante
um ano (2003 a 2004). Todo paciente menor que 40 anos de idade,
residente em Campinas, apresentando febre e exantema foi notificado e
submetido à investigação clínica, epidemiológica e laboratorial
para vários agentes etiológicos de doenças exantemáticas, entre
elas: sarampo, rubéola, eritema infeccioso, dengue, exantema súbito,
escarlatina, enterovírus, etc. Os resultados esperados deste trabalho
irão contribuir para o conhecimento das doenças febris exantemáticas
e sua magnitude em nosso meio.
RAMSAY
et al. (2002) realizaram
um estudo sobre a prevalência das doenças exantemáticas em clínicas
da Inglaterra, entre 1996 e 1998. Os autores estudaram 195 crianças
abaixo de 16 anos de idade, com manifestação clínica de
febre e exantema morbiliforme, pertencentes a uma população com alta
cobertura vacinal. A confirmação laboratorial foi possível em 93
casos (48%), dos quais 34 (17%) foram causados pelo parvovírus B19.
Nenhum caso de sarampo ou rubéola foi encontrado 1.
No eritema infeccioso, o período
prodrômico é geralmente assintomático; mas 5 a 10% dos casos
apresentam febrícula, mal-estar, cefaléia, coriza e/ou odinofagia
suave. Cerca de dez dias após surge o exantema bastante característico,
que tipicamente se inicia na face, de forma confluente, com edema e
eritema, causando a aparência de "bochecha esbofeteada". Após
alguns dias, surge o exantema maculopapular pelo tronco e membros, com
aspecto rendilhado. Essa fase pode ser acompanhada por prurido. A fase
final do exantema persiste, geralmente, durante uma a quatro semanas,
caracterizada por alterações na intensidade do exantema que pode ser
exacerbado por vários fatores, tais como: exposição solar, exercícios,
temperatura ou variações do estado emocional
5,6,7,8,9.
Todos os pacientes incluídos na presente amostra tiveram
exantema, sintoma exigido pela definição de caso. O segundo sintoma
mais freqüente foi a febre, ocorrendo em 31,1% dos casos, seguida de
gânglios (26,2%) e hiperemia de orofaringe (15,5%).
Os adultos, principalmente do sexo feminino, podem
apresentar artralgia em mãos e extremidades em 60-80% dos casos
5,6,7,9. Encontramos
apenas 6,8% de pacientes com queixa de artralgia, dado este que pode
estar sujeito à subnotificação.
Nos municípios de São José
do Rio Preto, Votuporanga e Nova Aliança, as manifestações clínicas
da maioria dos pacientes eram bastante sugestivas de eritema
infeccioso. Dessa forma, foram selecionados casos residentes nestes
municípios para a coleta de amostras com a finalidade de se pesquisar
o parvovírus B19.
Habitualmente o quadro clínico
é benigno. A maioria dos casos de infecção durante a gravidez
resulta em partos normais de fetos saudáveis;
no entanto, foi reconhecida a ação patogênica
intra-uterina do parvovírus B19, que pode levar, raramente, a
hidropsia e óbito fetal 6,7,8,9. No município de São José do Rio Preto os
serviços de ginecologia e obstetrícia foram orientados em relação
ao acompanhamento de gestantes infectadas e monitorização do
nascimento de fetos hidrópicos.
Recentemente, a
disponibilidade de métodos para detectar a infecção pelo parvovírus
B19 tem aumentado. Esses métodos incluem as técnicas sorológicas e
a detecção de DNA viral, através da Reação em Cadeia de
Polimerase (PCR) (4,6). No presente surto, a análise de desempenho do
teste utilizado indica que a sensibilidade e especificidade do ensaio
são, respectivamente, 89,9% e 99,1%. Dentre as 26 amostras
processadas, 23 (88,5%) foram reagentes para parvovírus B19.
Quanto
aos resultados encontrados de IgM reagente para sarampo, é importante
ressaltar que tanto os resultados falso-positivos quanto
falso-negativos podem ocorrer na rotina de testes sorológicos de
Imunoglobulina M (IgM) para sarampo. A Organização Pan-Americana de
Saúde (OPAS) ressalta que o valor preditivo do teste laboratorial
diminui com a baixa prevalência da doença. Assim, com a atual situação
epidemiológica do sarampo nas Américas, podem ser esperados
resultados laboratoriais falso-positivos 10.
Além
disto, segundo THOMAS et al. (1999), pode existir a
simultaneidade da resposta de IgM contra mais de um vírus em infecções
causadas pelo vírus do sarampo, rubéola e parvovírus B19 11.
Considerando
as questões acima descritas, um dos casos com resultado de IgM
reagente para sarampo, que apresentava clínica bastante sugestiva de
eritema infeccioso, foi confirmado laboratorialmente para parvovírus
B19. O segundo caso ainda está sob investigação laboratorial, em
processamento do pareamento de IgG.
Esta
investigação ressalta a importância de um sistema de vigilância
oportuno e alerta em relação às doenças exantemáticas,
principalmente no momento atual de compromisso com a erradicação do
sarampo e controle da rubéola nas Américas.
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