Informe Mensal sobre Agravos à Saúde Pública   ISSN 1806-4272
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Novembro, 2004   Ano 1   Número 11                                                                     retorna
Malária em São Paulo

Divisão de Zoonoses
Centro de Vigilância Epidemiológica “Professor Alexandre Vranjac” – CVE/SES-SP


A malária já era bem conhecida nos tempos de Hipócrates. Seu impacto na saúde coletiva da região amazônica é inegável. No entanto, em Estados não pertencentes à Amazônia Legal, onde ela é freqüente, a doença não faz parte da rotina dos médicos no que diz respeito ao diagnóstico diferencial. O que é visto também no Estado de São Paulo.

O esquecimento não é injustificado. De fato, o número de casos de malária diagnosticados no Estado caiu de 1.798 em 1990 para 242 em 2003.  Desde 1997 observa-se notificação inferior a 300 casos/ano. Entretanto, dois aspectos dessa doença exigem nossa atenção: as rotas de transporte e comércio, que determinam afluxo constante de indivíduos procedentes de áreas de alta endemicidade da doença, sendo responsável por cerca de 85% dos casos anuais.

Os indivíduos que adoecem buscam atendimento em centros de saúde e pronto-socorros. Alguns casos (malária por Plasmodium falciparum) podem ser graves e o retardo do diagnóstico ou tratamento inadequado representam risco de vida. Um segundo aspecto é a ocorrência de pequeno número de casos autóctones. Focos de malária têm sido identificados no Litoral Norte, Grande São Paulo e Vale do Ribeira.

O agente etiológico da malária autóctone em São Paulo é o Plasmodium vivax, com apresentação clínica freqüentemente oligossintomática. A Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) realiza ações de identificação de focos autóctones e medidas seletivas de controle de vetores.

A abordagem da malária sofreu modificações recentemente. Seguindo tendência mundial, abandonou-se a meta de erradicação da doença. Os novos objetivos priorizam a atenção aos doentes, para redução de gravidade e letalidade, por meio de uma ampla oferta de serviços para diagnóstico e tratamento.

O desafio de São Paulo consiste na construção de modelos eficientes de assistência à malária por P. vivax, de baixa incidência no Estado, que atenda também à malária por P. falciparum, casos importados, entretanto potencialmente grave. Dois componentes são necessários a esse modelo: manter índices adequados de suspeição e montar sistema de referência.

Até 2003, a Secretaria da Saúde de São Paulo centralizava a tecnologia para diagnóstico e tratamento da malária. A reavaliação da situação epidemiológica trouxe uma nova abordagem. Foram designados hospitais de referência nas diversas regiões do Estado, médicos e profissionais de laboratório foram capacitados para o diagnóstico clínico e condutas terapêuticas e para a identificação do agente, respectivamente.

Em relação a outro componente, a suspeição, sua importância justifica o lembrete: “A malária em São Paulo é algo mais do que a recordação de velhos compêndios de parasitologia”.

Assim, definiram-se 14 serviços de referência que atendem os pré-requisitos mínimos quanto à estrutura, recursos físicos e humanos, e estão inseridos em um contexto geoespacial que permite fácil acesso para adequado atendimento dos casos suspeitos da doença, como mostra o mapa a seguir.

Figura 1
Localização dos serviços de referência para malária

MAPA - MALÁRIA EM SÃO PAULO

Fonte: CVE

Todo caso suspeito de malária deverá ser encaminhado ao hospital de referência mais próximo da residência do paciente, dando início ao processo de diagnóstico, conduta terapêutica adequada, investigação e controle do foco, nos casos autóctones.

Dessa forma, poderemos descentralizar o atendimento e disseminar aos profissionais de saúde informações de como lidar com a malária,  sem perder a qualidade de atendimento ao paciente, o que a Sucen garantiu de forma correta por tantos anos.

Referências para o diagnóstico e tratamento
do paciente com malária segundo regionais de atendimento

Malária - Locais ref. p/ diagn. e tratamento por regionais de atendimento

 


Agência Paulista de Controle de Doenças