A
malária já era bem conhecida nos tempos de Hipócrates. Seu impacto
na saúde coletiva da região amazônica é inegável. No entanto, em
Estados não pertencentes à Amazônia Legal, onde ela é freqüente,
a doença não faz parte da rotina dos médicos no que diz respeito ao
diagnóstico diferencial. O que é visto também no Estado de São
Paulo.
O
esquecimento não é injustificado. De fato, o número de casos de malária
diagnosticados no Estado caiu de 1.798 em 1990 para 242 em 2003.
Desde 1997 observa-se notificação inferior a 300 casos/ano.
Entretanto, dois aspectos dessa doença exigem nossa atenção: as
rotas de transporte e comércio, que determinam afluxo constante de
indivíduos procedentes de áreas de alta endemicidade da doença,
sendo responsável por cerca de 85% dos casos anuais.
Os
indivíduos que adoecem buscam atendimento em centros de saúde e
pronto-socorros. Alguns casos (malária por Plasmodium
falciparum) podem ser graves e o retardo do diagnóstico ou
tratamento inadequado representam risco de vida. Um segundo aspecto
é a ocorrência de pequeno número de casos autóctones. Focos de malária
têm sido identificados no Litoral Norte, Grande São Paulo e Vale do
Ribeira.
O
agente etiológico da malária autóctone em São Paulo é o Plasmodium vivax, com apresentação clínica freqüentemente
oligossintomática. A Superintendência de Controle de Endemias (Sucen)
realiza ações de identificação de focos autóctones e medidas
seletivas de controle de vetores.
A
abordagem da malária sofreu modificações recentemente. Seguindo
tendência mundial, abandonou-se a meta de erradicação da doença.
Os novos objetivos priorizam a atenção aos doentes, para redução
de gravidade e letalidade, por meio de uma ampla oferta de serviços
para diagnóstico e tratamento.
O
desafio de São Paulo consiste na construção de modelos eficientes
de assistência à malária por P. vivax,
de baixa incidência no Estado, que atenda também à malária por
P. falciparum, casos importados, entretanto potencialmente grave.
Dois componentes são necessários a esse modelo: manter índices
adequados de suspeição e montar sistema de referência.
Até 2003, a Secretaria da Saúde de São Paulo
centralizava a tecnologia para diagnóstico e tratamento da malária.
A reavaliação da situação epidemiológica trouxe uma nova
abordagem. Foram designados hospitais de referência nas diversas regiões
do Estado, médicos e profissionais de laboratório foram capacitados
para o diagnóstico clínico e condutas terapêuticas e para a
identificação do agente, respectivamente.
Em relação a outro componente, a suspeição,
sua importância justifica o lembrete: “A malária em São Paulo é
algo mais do que a recordação de velhos compêndios de
parasitologia”.
Assim,
definiram-se 14 serviços de referência que atendem os pré-requisitos
mínimos quanto à estrutura, recursos físicos e humanos, e estão
inseridos em um contexto geoespacial que permite fácil acesso para
adequado atendimento dos casos suspeitos da doença, como mostra o
mapa a seguir.
Figura
1
Localização dos serviços de referência para malária

Fonte: CVE
Todo caso suspeito de malária deverá ser
encaminhado ao hospital de referência mais próximo da residência do
paciente, dando início ao processo de diagnóstico, conduta terapêutica
adequada, investigação e controle do foco, nos casos autóctones.
Dessa
forma, poderemos descentralizar o atendimento e disseminar aos
profissionais de saúde informações de como lidar com a malária,
sem perder a qualidade de atendimento ao paciente, o que a Sucen
garantiu de forma correta por tantos anos.
Referências para o diagnóstico e tratamento
do paciente com malária segundo regionais de atendimento

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