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Outubro, 2004 Ano 1 Número
10
retorna
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Detecção de Lutzomyia edwardsi infectada na Região da Grande de São
Paulo
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Vera Lucia Fonseca de Camargo-Neves
Superintendência de Controle de Endemias - Sucen
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As investigações entomológicas
de rotina para pesquisa de flebotomíneos na região da Grande de São
Paulo (RGSP), datam da década de 80, quando da notificação de casos
humanos de leishmaniose tegumentar americana (LTA). Várias espécies
de flebotomíneos foram encontradas destacando-se como aqueles de
maior importância epidemiológica as espécies: Lutzomyia
intermedia s.l., Lutzomyia migonei, Lutzomyia fischeri (Camargo-Neves
1999). Destas, apenas L. fischeri ainda não foi
encontrada infectada por parasitos da leishmaniose, porém sua forte
relação com hábitat humano e a alta antropofilia, levam a
incriminar esta espécie como vetor secundário da LTA (Camargo-Neves
1999).
Nessas investigações, realizadas
no período de 1985 a 1995, também foram identificadas mais 15 espécies
de flebotomíneo do gênero Lutzomyia
sp e espécies do gênero Brumptomyia
sp, em 15 localidades de 9 municípios com transmissão, porém em número
menor (Quadro 1). Destaca-se, nesse período, o encontro de Lutzomyia longipalpis, vetor da leishmaniose visceral americana (LVA),
tendo sido capturado apenas um macho da espécie, no ano de 1992, no
município de Pirapora do Bom Jesus.
Quadro 1
Espécies de flebotomíneos por município investigado no período de
1985 a 1995, Região Metropolitana de São Paulo
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Espécie
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Municípios
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Lutzomyia
intermedia s.l.
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São Paulo, Mogi
das Cruzes, Santa Isabel, Cajamar, Francisco Morato, Mairiporã, Cotia,
Embu-Guaçu e Pirapora do Bom Jesus
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Lutzomyia
migonei
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São Paulo, Mogi
das Cruzes, Cajamar, Mairiporã, Pirapora do Bom Jesus
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Lutzomyia
fischeri
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São Paulo, Mogi
das Cruzes, Cajamar, Francisco Morato, Mairiporã, Cotia, Pirapora do Bom
Jesus
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Lutzomyia
ayrozai
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São Paulo,
Cajamar, Mairiporã
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Lutzomyia
alphabetica
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Mogi das Cruzes,
Cajamar, Mairiporã, Cotia, Pirapora do Bom Jesus
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Lutzomyia
pestanai
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Mogi das Cruzes,
Santa Isabel, Francisco Morato, Mairiporã
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Lutzomyia lloydi
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Santa Isabel,
Cajamar, Francisco Morato, Mairiporã, Cotia, Pirapora do Bom Jesus
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Lutzomyia
monticola
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Cajamar,
Pirapora do Bom Jesus,
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Lutzomyia
arthuri
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Cajamar,
Pirapora do Bom Jesus
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Lutzomyia
pascalei
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Cajamar,
Pirapora do Bom Jesus
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Lutzomyia
whitmani
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Cajamar, Cotia,
Pirapora do Bom Jesus
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Lutzomyia
firmatoi
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Mairiporã
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Lutzomyia
edwardsi
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Pirapora do Bom
Jesus
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Lutzomyia
pascalei
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Pirapora do Bom
Jesus
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Lutzomyia
missionensis
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Pirapora do Bom
Jesus
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Lutzomyia lenti
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Pirapora do Bom
Jesus
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Lutzomyia
pessoai
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Pirapora do Bom
Jesus
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Lutzomyia
longipalpis
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Pirapora do Bom
Jesus
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Brumptomyia sp
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Cajamar,
Pirapora do Bom Jesus
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Fonte: Camargo-Neves, 1999.
Mais recentemente, em 2001,
investigações entomológicas foram desencadeadas em decorrência de
uma possível suspeita de leishmaniose visceral em um gato no município
de Cotia, no Distrito de Saúde de Caucaia do Alto, sendo
posteriormente confirmada sua infecção por Leishmania
chagasi, por meio de técnicas moleculares. Como resultado das
capturas entomológicas realizadas nesta localidade, observou-se a
presença das espécies anteriormente descritas neste município: L.
migonei, L. fischeri, L. edwardsi, L. lloydi e L. monticola (Camargo-Neves
e Andrade 2001).
Em 2003, a partir da notificação
de um cão com suspeita de leishmaniose visceral, por uma clínica
particular do município de Carapicuíba, chegou-se a identificação
de Leishmania chagasi (Tolezano e col. 2003), no entanto, não foi
confirmada a transmissão autóctone neste município. Estes autores
desencadearam investigações, isolando amostras de cães de outros
municípios da RGSP e confirmando a infecção canina por L.
chagasi. Posteriormente, a partir de inquéritos caninos
realizados pela Secretaria de Estado de Saúde e municípios da região,
confirmou-se a transmissão da LVA canina em dois municípios da região,
Cotia e Embu das Artes (CVE dados em revisão).
As investigações entomológicas
implementadas nestes municípios detectaram a presença de L. fischeri, L. migonei e L. edwardsi. Nesta última espécie, foram
identificadas formas flageladas de leishmânia em 5 exemplares
coletados no município de Cotia, posteriormente identificados, por
PCR, como Leishmania (V.)
braziliensis (Floeter-Winter comunicação pessoal).
Com esse resultado confirma-se um possível papel de L.
edwardsi como vetor da LTA, porém faz-se necessária a continuação
das investigações entomológicas de modo a identificar o vetor da
LVA naqueles municípios. Bem como, investigar outros possíveis modos
de transmissão entre os cães nessa região do Estado.
Cabe destacar,
que o encontro de felino infectado com L.
chagasi pela primeira vez no estado de São Paulo, merece a
realização de novos estudos sobre o papel dos gatos no ciclo de
transmissão da LVA e, principalmente, conhecer a prevalência da doença
nestes animais em áreas endêmicas de LVA do ESP.
Referências Bibliográficas
-
Camargo-Neves
V L F de. Características da Transmissão da Leishmaniose Tegumentar
Americana do Estado de São Paulo, Brasil. São Paulo, 1999. [
Dissertação de Mestrado – Faculdade de Saúde Pública da
Universidade de São Paulo].
-
Camargo-Neves
V L F de e Andrade J C R. Encontro de Leishmania
sp em um gato no
município de Cotia – Região Metropolitana de São Paulo- SP. Rev.
Da Soc. Brás. Méd. Trop. 2001; 34 (Supl. I): 205.
-
Tolezano
e col. Expansão da leishmaniose visceral (LV) por terras paulistas.
Focos de transmissão de LV canina em municípios da região
Metropolitana de São Paulo.
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Agência Paulista de Controle de Doenças
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